domingo, 5 de outubro de 2014

À tarde, são os mais velhotes que trabalham que nem uns galegos!

Pois é mais à tarde que os galegos velhotes mais trabalham, aproveitando o descanso de alguns dos pequenotes, que adormecem durante o tempo que lhes concedo para uma pequena pausa. Assim, agora temos uma nova organização, depois de nos termos aprecebido que a manhã "rende" muito pouco, pois é quase preenchida com o início da manhã, que compreende a chegada à sala, fazer o círculo para nos reunirmos, cantarmos o mantra, fazer os pedidos à Luz do nosso Coração, dizermos os bons-dias uns aos outros, cantar, conversar e planear o dia. Seguidamente lanchamos, o que demora, infelizmente, quase uma hora, às vezes até mais, pois os pequenos demoram imenso tempo, os que vão terminando sentam-se a ver uma história, canções ou filme no computador até todos terminarem o lanche, pois as mesas estão ocupadas e, aproveitando estes dias de sol, vamos até ao recreio. Voltamos ara dentro, preparamos para o almoço e saímos. E assim se passou a manhã, a correr ...
De tarde, os mais pequenos ( 2 e 3 anos) deitam-se um pouco no tapete, em cima de mantas e reuno com os mais velhos (4 e 5 anos), que esperam por mim, sentados já na mesa. A música de fundo é calma e obriga-nos a falar baixo, respeitando os mais pequenos. Passados 15 a 20 minutos, os pequenotes que não passaram pelo sono vão-se levantando e ocupam as outras mesas mais pequenas com jogos, desenho ou massa. Os grandes trabalham comigo, fazendo os registos escritos, os trabalhos em pequenos grupos ou trabalhos/jogos individualizados e acompanhados por mim. Incide-se nas áreas em que revelam mais dificuldade.
E aqui fica o registo da conversa acerca do facto de terem apadrinhado um pequenote:

Pergunta de partida: Então o que é que vocês, padrinhos e madrinhas, devem fazer com os afilhados/as?

Laura Barata: Temos de tomar conta dos afilhados.
Afonso Alves: Eles têm de nos dar a mão para não se perderem no caminho.
Rafaela: Nós não podemos largar-lhe a mão, porque se não eles podem desaparecer para outro lado ou ir lá para trás (eles sabem que no recreio têm de estar onde a minha vista os alcance).

Então mais ou menos todos referiram as regras que têm de transmitir aos pequenos e que são as que eles próprios têm de respeitar, o que me deixou satisfeita:


- Não podem ir lá para trás, no recreio.
- Não podem subir ao muro.
- Não podem ir beber água sózinhos nos bebedouros, porque se molham..
- Não podem ir para a rampa com os triciclos e as trotinetas.
- Não podem ir com a bola lá para trás.
- Não podem ir para a terra molhada sujar-se.
- Não podem ir para as escadas.
- Não podem ir para as casas de banho lá de cima.
- Não podem vir à sala sem dizer nada e se quiserem água têm de dizer.
- Não se pode atirar a bola para a rua.

Leonor: Sim, essas são as regras, estão no plano do "fazer". Mas e no plano do Coração? das Emoções? O que devem vocês fazer?

Afonso Alves: Dar amor.
Tomás Alexandrino: Dar carinho.
Laura Barata: Ajudar a fazer as coisas ... partilhamos os jogos e somos amigos.

Após esta conversa, eles dividiram-se em pequenos grupos de 3 ou 4, para decorar o quadro dos "Padrinhos, Madrinhas e Afilhados e Afilhadas". No dia seguinte mostraremos o trabalho aos mais pequenotes.


Estas conversas são importantes para, entre outras áreas:

- organizar o pensamento;
- desenvolver a oralidade e o raciocínio;
- aprender a trabalhar em conjunto;
- saber responder a perguntas, respondendo dentro do contexto;
 - desenvolver a criatividade;
- desenvolver o espirito crítico;
- promover a linguagem escrita;
- avaliar.

 

3 Comments:

Ana said...

Muito bom! O Rodrigo falou logo que tinha uma nova amiga para tomar conta! :)

Carlos Alexandre Nepomuceno Barata said...

Boa tarde, é por conversas com os nossos filhos e por trabalhos como estes aqui descritos que ficamos tranquilos e satisfeitos por eles terem uma Educadora como a Leonor.

Parabéns

Sala Encarnada said...

Obrigada a ambos pela visita e pelas palavras, tão reconfortantes e que me dão alento para aqui continuar a descrever o dia a dia na sala.
Beijinhos,
Leonor

 
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