quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Uma criança sem regras é como um carro desgovernado



Já muitos estudos o concluíram, já muitos autores o escreveram e escrevem, já muitos pediatras o dizem: uma criança precisa de regras,  "uma criança sem regras é como um carro desgovernado." A frase não é minha, li-a ou ouvia-a algures a alguém e concordo em absoluto com o autor, quem quer que ele, ou ela, tenha sido.

Esta tem sido uma semana particularmente dedicada aos comportamentos, ou aos maus comportamentos,  em determinados contextos, nomeadamente à hora da refeição.
Todos os dias pergunto como decorreu o almoço e a resposta geral é. "Correu bem". E quando pergunto especificamente acerca de uma ou outra criança, "correu bem", é o que ouço. Andei iludida, até que há dois dias atrás, através de adultos que lá estão, me disseram horrores da Sala Encarnada. Como é lógico, e como qualquer pai que não gosta de ouvir dizer mal do seu filho, eu não gosto que os meus alunos se portem mal, quando eu não estou e "o sermão e a missa cantada não se fez esperar": 

- comer sentado (sem se levantarem, sem arrastarem a cadeira); 
- usar o copo apenas para beber água (não brincar nem bater com ele na mesa);
- usar os talheres para comer (não bater com os talheres na mesa ou brincar com eles no ar);
- comer a comida (não atirar a comida pelos ares, não usar as ervilhas ou a fruta como se fossem bolas atiradas ao ar, não deitar comida para baixo da mesa, não atirar comida aos outros, etc, etc.),
- falar baixo (não falar aos gritos).

Questiono-me onde fazem eles estas coisas ( o que alguns deles fazem, está entre parêntesis, claro),  que repetem aqui, e estes bons hábitos podem, devem vir e devem ser continuados em casa. Lembro aos pais que na escola existe uma auxiliar para 3 mesas, não uma auxiliar para cada criança, cada mesa tem 8 crianças e as crianças devem vir de casa já com a conversa e os conselhos do que devem fazer à mesa:  estar sentado, falar baixo, não brincar com a comida nem a atirar para o ar ou para o chão, utilizar os talheres apenas e exclusivamente para comer, comer sozinho
Vão-me perdoar os que se sentirem ofendidos e não se revêm no que digo, mas a escola não fará milagres, se os bons hábitos não vierem de casa.
Infelizmente muito se tem escrito sobre disciplina e existe a tendência crescente para se culpabilizar a escola de todos os males, de todos os fracassos. A escola é parceira educativa da família e com ela participa na educação das crianças e jovens, mas a educação primeira começa em casa, pois são os pais os primeiros e absolutos educadores e responsáveis dos seus filhos.

Criei quadros de comportamento e folhas individuais em que cada um, em voz alta, se avalia perante o grupo e regista a auto-avaliação que faz do seu comportamento do  dia. Esta ficha está ser preenchida diariamente, por volta das 15:00, quando se faz a avaliação do dia. Só o tempo dirá se é uma boa estratégia, mas solicito a compreensão e colaboração dos pais na aquisição de bons comportamentos dos seus filhos, nomeadamente no que diz respeito à mesa, na hora das refeições.

Obrigada.

11 Comments:

Laura said...

Eu não podia concordar mais contigo, tenho o mesmo problema diariamente. Noutro dia estive a explicar a uma mãe porque é que ela não deve manter a sua postura de mãe/amiga. Esse é um erro muito comum actualmente, o de pensar que os pais devem ser amigos confidentes. Os pais devem ser orientadores das regras e dos valores, como faróis do que está certo e do que está errado. Amigos bacanos há em todo o lado, são as colegas da escola, primos, tios, etc. Os pais ele só tem no máximo 2 e têm uma função fundamental que não pode ser substituida por mais ninguém, a de educar, moralizar, fazer crescer, evoluir :)

Bjs e obrigada :)

Galega Encarnada said...

Uma mãe/um pai não é amigo:é Pai, é Mãe. Que explicam e quando a criança não o entende ou não quer compreender as razões, é como eu ainda hoje, com filhos já adultos, remato:
- "É assim, porque eu é que sei, porque eu é que sou a Mãe." e a conversa termina aqui.

Ainda bem que pelo menos já existe uma mãe que está de acordo com o que disse... :)

M. Jesus Sousa (Juca) said...

Olá Leonor,

Tens toda a razão, cada vez mais se vê esse tipo de postura por parte dos pais. Muitas crianças chegam ao JI sem nunca terem ouvido um "não", com medo de que fiquem traumatizados...

Tenho a certeza que vários pais estarão de acordo com todo o teu post... podem é não o querer admitir!

Bjs, Juca

Galega Encarnada said...

Em anos anteriores não me deparei tanto com este problema, talvez porque este ano as crianças são muito pequenas, entraram em grande número e não devem estar muito habituadas, de facto, a ouvir um "não". E o pior, é que num fenómeno de "copiar o modelo do outro", os mais velhos parecem estar ainda piores ...
Não me lembro em tantos anos de profissão, me deparar em tão grande número com estes problemas, de as crianças quererem fazer apenas o que querem e quando querem. Saber "adiar", "esperar", "saber ouvir que não pode" ... faz parte da educação. Pela vida fora vai ter disso que chegue e não vai ficar traumatizado. Traumatizado vai ficar depois, se agora, que é pequeno, não sabe o que é "não".

Obrigada,
Leonor

Galega Encarnada said...

Maria Rosário Moita Macedo através do Facebook:
Olá Leonor, não consigo postar o comentário no teu blog, por isso o faço aqui. Achei o teu post muito interessante e acho importantíssimo que os pais participem na busca e implementação de estratégias que visem o desenvolvimento harmonioso da criança em todos os aspectos e a educação e aquisição de regras é essencial.durante o ano e sempre que necessário, reúno com os casais para reflectirmos e procurarmos caminhos na escola e em casa. abraço e bom trabalho:)

Cidalia Valverde said...

Boa noite Leonor, concordo com tudo o que disse no Blog, apesar de tentar-mos com o Rafael, é muito complicado, "nãos" ouve muitos, algumas palmadas no rabo também, mas é muito teimoso.

Vamos estar atentos a essas situações, obrigada pelo alerta.
Bjs Cidalia

Laura said...

No principio estive muito reticente com a ideia das bolinhas verdes e vermelhas e achava até um exagero os pais adoptarem isso também em casa, continuo a não estar muito convencida sobre os resultados dessa estratégia em casa. Mas tem pelo menos um efeito positivo na escola, quando o Manel chega a casa eu pergunto-lhe em que bola este e vou sabendo se andou pelo verde ou pelo amarelo... é mais fiável do que o simples "portei-me bem" ou "portei-me mal". Também acho que em termos corretivos, neste idade uma palmada ou outra não fará grandes traumatismos e por vezes os resultados são ótimos. As estratégias decididas na escola devem continuar em casa, se o menino ficou de castigo na escola por se ter portado mal, em casa deve have um reflexo disso, ou mantem o castigo ou há pelo menos uma conversa. Sei no entanto que nem sempre é possivel termos logo informação do que se passou durante o dia na escola em termos de comportamento individual :( Pode ser uma reflexão a ser feita.

Nélia Miguel Matias said...

Assino por baixo e concordo com todo o texto!!

Claro que há situações que são excepcionais mas há que as marcar logo á partida como excepcionais e não os deixar pensar que podem ser regras. Infelizmente a tarefa dos Pais por vezes é a mais dura e mais rígida mas estamos a construir diariamente o caractér dos nossos filhos para que eles sejam umas boas pessoas amanhã (pode parecer demagógico ou até soar a frases feitas mas acredito mesmo nisso).

Cá em casa não há perfeição nem é isso que se pretende, mas fazemos para que as regras sejam cumpridas e as tolices reparadas no momento. Relativamente ao comportamento no refeitório (o qual já tive a oportunidade de mencionar que o reprovo na totalidade) não consigo sacar ao Miguel como é que ele se porta na escola... espero que não seja muito mau :-(

Nélia (Mãe do Miguel)

Rute (mãe da Verónica) said...

Rute (mãe da Verónica)

Olá Leonor! As regras são importantes para estabelecer limites e concordamos que essa não é uma competência exclusiva da escola.
No nosso caso, mal tomámos conhecimento acerca do sucedido, falámos de imediato com a Verónica, primeiramente tentámos perceber o que se passou á hora da refeição, seguidamente tivemos a conversa com a Verónica e reforçámos que este tipo de comportamentos não se deve ter nem como iniciativa, nem por imitação.
Que as semanas que se avizinham sejam mais tranquilas.
Obrigada!
Beijinhos
Rute Marques

Anónimo said...

Olá Leonor, sou a mãe da Rita e não posso deixar de fazer um comentário relativamente ao comportamentos das crianças, bem como as faltas de educação...
É muito complicado trabalhar/conviver hoje em dia com as crianças pois estas estam cada vez mais indisciplinadas, mas não posso deixar de dizer que a culpa é dos pais. Quando são pequeninos "ai coitadinho que é pequenino". Eles vão crescendo e os pais vão deixando de ter "mão neles" e com o passar do tempo quem vai mandando são eles...
Quando os pais querem controlar as coisas já não conseguem, porque vem tudo de um principio.
Relativamente à semana foi cheia de actividades muito criativas achei muitos giras...
Bjs para todos os meninos.

Galega Encarnada said...

Recebi por e-mail:

Olá e desde já digo que não podia concordar mais acerca do que foi publicado.
Fico grata por entre todos nós seres vivos podermos através uns dos outros podermos aprender,ensinar, e quem sabe fazer com que alguém seja melhor do que nós próprios ou pelo menos aprender a ser feliz.
Envio aqui em postal (um pouco à semelhança do que foi publicado)é um postal que já tenho comigo há 15 anos foi-me oferecido pelo meu esposo e que ainda hoje necessito de vez em quando de o reler.
Vou procurar também um recado deixado em tempos pela pediatra dos meus filhos no consultório dela que também é sobre o mesmo tema : o titulo é "já não existem pais maus " e depois envio que acho que todos os pais deveriam ler(os que quiserem claro)

Apesar de nem sempre fazer comentários seguimos sempre o blogue é espectacular e adorei a imagem do dia da alimentação.
Mais uma vez agradeço a sua dedicação e a sua disponibilidade.

Grande beijinho da mãe do Tomé

 
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