sexta-feira, 27 de maio de 2011

A gaivota e o melro



Era uma vez uma gaivota chamada … não nos lembramos do nome  … e um melro. Ela estava a voar lá no céu e depois veio uma tempestade, afastou-a do mar e levou-a para a floresta. Na floresta ela aleijou a asa no ramo de uma árvore. Um melro, que se chamava Zacarias, encontrou-a e foi buscar musgo para pôr na asa e ficaram amigos. A seguir vieram os pais do melro e disseram:

-“ O que é que está aqui a fazer uma coisa branca que não é do nosso tipo? Que come peixe ?! Que nojo!!!”

A mãe disse:

- Eles comem onde fazem xixi e cocó? Que nojo!!!!”

Os pais do melro Zacarias não queriam que ele fosse amigo da gaivota por ela ser diferente. E a seguir o pai do melro disse-lhe que por isso ele fosse embora e nunca mais voltasse. E o melro foi embora com a gaivota para o mar. Mas passou um dia sem comer, porque ele não gostava de peixe e à noite ele andava às voltas e às voltas e não conseguia dormir com a fome, mas lá adormeceu cheio de fome. De manhã veio uma onda gigante e molhou-o e a gaivota perguntou:

-“ Tu não tomas banho, Zacarias?”

- “Tomo … tomo banho… só molho as patas e quando há pouca água molhamos as asas e a ponta do bico”.

E de manhã o melro lá comeu um peixe e disse:

-“Ai que tenho uma espinha na garganta! Gaivota, vamos à floresta à bruxa para tirar a espinha”.

E lá foram eles. Quando lá chegaram a bruxa, que era espanhola, perguntou:

-“ Queres comer peixe e voar por cima do mar, melro? E tu, gaivota, queres voar por cima da floresta e comer insectos?”

E os dois disseram que sim. Então ela disse aquelas palavras mágicas e disse para o criado:

-“Traz aí o caldeirão …” , mas o caldeirão caiu no pé do criado. A bruxa tirou duas penas da gaivota e duas penas do melro, misturou tudo e disse:

-“Dentes de dragão … uma perna daqui … uma perna dali … perna de sapo … olho de sapo e já está!!!”

Saiu a espinha e depois a gaivota perguntou ao melro se queria ir conhecer a família dela. O melro disse que sim, mas as primas disseram:

-“ Quem é este bicho preto?”

- “É o meu amigo melro. Ele come insectos e vive na floresta e é meu amigo”

E ficaram todos amigos. Depois o melro levou a gaivota à floresta para conhecer a família dele, mas o pai do melro disse:

-“ Porque é que estás aqui, Zacarias? Com a tua amiga branca? Não disse para nunca mais voltares?”

Então chegaram as primas da gaivota e perguntaram ao melro:

-“ Quem são estes bichos pretos?

-“São a minha família … E se vocês tocarem na minha amiga eu pico-vos para a defender e vamos voar até nos cansarmos e morrermos, porque somos amigos. Ela é uma gaivota e eu sou melro, mas não importa”.

Depois ficaram todos amigos, mesmo sendo diferentes.


E aqui está na íntegra a reconstituição da história do "Ateliê - A vida das Palavras" pelo grupo dos meninos mais velhos da sala.
Posso dizer que erraram o nome do melro, que na história se chamava Malaquias, a gaivota chamava-se Gabriela e a bruxa afinal era uma fada ... O resto da história está em tudo muito semelhante e compreenderam bem a mensagem da história: sermos amigos, apesar das diferenças.

1 Comment:

voo do tapete said...

Queridos Galeguitos:

A Ana e o Folhas estiveram a ler com toda a atenção a vossa história e querem dar-vos os parabéns, pois está mesmo muito parecida com aquela que o Carlos nos contou!

Na verdade a gaivota Gabriela e o melro Malaquias, que eram os mais pequenos daquelas famílias de pássaros - as gaivotas do mar e os melros da floresta - mostraram aos crescidos que apesar das diferenças que tinham uns em relação aos outros isso não importava para que pudessem ser amigos!

Beijinhos!
Ainda bem que gostaram desta história e deste ateliê!

Tenho a certeza que o Carlos quando vier espreitar o vosso blogue e ler esta notícia vai ficar também muito feliz por ver que vocês compreenderam tudo...

Mais beijinhos da Ana e do Folhas para todos! :)

 
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