segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Se a Paz se vestisse de Carnaval ...


Começamos hoje a falar do Carnaval ... afinal está já perto a data ...
O projecto deste ano desenvolve-se no âmbito daquilo a que os adultos chamam de "valores", o que já é bastante ambíguo e nem sempre fácil de falar connosco.  Ora o desafio de hoje era associar a "Paz" ao Carnaval. A Leonor começou por nos perguntar o que era contrário à paz, o "oposto", ajudou o Lourenço quando percebeu a ideia, pois ele tem "um livro de opostos lá em casa". Lá andámos a divagar, a falar mais uma vez da Paz, da Não violência, do oposto que é a guerra, a violência e isso, como já foi o nosso tema há umas semanas atrás, "estávamos à vontade". Mas não sabíamos como é que no Carnaval nos podemos mascarar de "PAZ"! 
- Ora a Paz não se vê ...  mas se se visse ... se ela fosse uma cor, que cor seria? Seria preto?
- Não ... Branco - disseram alguns meninos -  
 - Verde como a erva - disseram outros
- E se fosse um animal? Por exemplo, quando pensamos num leão pensamos em paz? 
- Ele é feroz ... então não ... uma pomba ...uma gaivota ... um pásssaro
- E se a Paz fosse uma flor?
- Margaridas como as Margaridas
- E se a Paz fosse uma bebida? 
- Água 
- E se a Paz fosse um alimento?
- Pão ...
- Está certo ... precisamos de água e de pão para termos Paz... e se a Paz fosse uma peça de vestuário?
Esta foi difícil ... dissemos calças ... casaco ... então a Leonor contou-nos como antigamente nas batalhas as pessoas se rendiam quando já não queriam lutar mais: erguiam um lenço ou um pano branco num pau. Assim descobrimos:
- Um lenço!

E pronto ... o que aqui parece ter sido rápido, não foi ... demorámos algum tempo a conversar estas coisas, mas foi uma descoberta para todos e já temos algumas pistas possíveis para as máscaras. Agora temos de falar com amigos da sala 1 do 1º Ciclo, para vermos o que eles querem fazer, pois vamos trabalhar em conjunto.
Mas só por este exercício ... já valeu a pena ...

 ( Foi a Juca que num repente me deu esta ideia, pois não estava a saber como "chegar até eles" ... já vi qualquer coisa parecida no teu blogue e agora resultou ... Obrigado!)

8 Comments:

Laura said...

O Manel amuou quando lhe disse que não trouxemos para cá o fato dele de Homem-Aranha... lol!!! já lhe imbuti o espirito do carnaval :)

Bjs
Laura

Galega Encarnada said...

Ontem também estivemos a fazer um "levantamento de necessidades", tipo:"Vais te vestir de quê? E falta-te o quê para fazeres aqui?", e o Manuel disse que já tinha tudo ... ;) Ele é o Homem Aranha ...


bjs,
Leonor

EB1+JI da Póvoa da Galega said...

Boa sala Encarnada!
Grande trabalho, mas chegaram a muitas conclusões...até eu fiquei a pensar nas várias formas de vermos a Paz. Nunca tinha pensado na Paz dessa forma.
Beijos

Prof. Cristina Loureiro

Galega Encarnada said...

Por lapso fiz "eliminar" em vez de "publicar" o comentário da Juca. Vou copiá-lo do mail para aqui. Peço desculpa, Juca.

"M. Jesus Sousa (Juca) deixou um novo comentário na sua mensagem "Se a Paz se vestisse de Carnaval ...":

É como diz o ditado, Leonor "primeiro estranha-se e depois entranha-se"...
Este tipo de experiências e situações abrem-nos os olhos para as verdadeiras perspectivas e concepções das crianças, que por vezes não conhecemos (nem sonhamos que existam!)
Boa exploração, parabéns...
Cá vamos ficar a aguardar, ansiosamente, como vão articular a Paz com o Carnaval...

Bjs fixes para todos!
Juca e Sala Fixe

Tia Verinha said...

Já estou a imaginar como vão ficar lindos! Um grande desafio! Na minha sala não festejamos o carnaval dessa forma pois é uma actividade do jardim, no entanto na segunda-feira vamos fazer o baile do espantalhos e quem sabe não vão ter uma surpresa!
Beijinhos e milsorrisoscoloridos

Galega Encarnada said...

Obrigada a todas pelos simpáticos comentários.
Bjs,
Leonor

voo do tapete said...

"A FORÇA DAS PALAVRAS"

Normalmente procuro comentar neste blogue dirigindo-me aos pequenos Galegos Encarnados, pois de facto, o blogue que a Leonor incansável e brilhantemente constrói, tem como objectivo principal partilhar e divulgar a maravilhosa aventura que é crescer e desenvolver-se numa sala de jardim-de-infância... esta, pela qual é responsável, estes meninos a quem desafia e com quem se desafia, dia-a-dia, a projectarem-se para a frente! Em suma, o blogue é deles!

Desta vez, excepcionalmente, escrevo para "os crescidos" que visitam este blogue e que queiram ter a paciência de me ler...

Este "post" co(moveu-me) como educadora, porque mostra claramente como pode ser desafiador, construtor de experiência e acrescentador de conhecimento um trabalho de projecto/pesquisa/explicitação como o que está espelhado neste exemplo.

Escolhi para este meu comentário o título: "A força das palavras", frase que intitula um poema de Luísa Ducla Soares, porque foi exactamente o que senti logo que comecei a ler este "post".

Tudo o que aqui se disponibiliza fez-me forçosamente pensar e sentir como funciona o pensamento, como se expressa pela palavra, como se reformula pela procura de uma nova forma de dizer... e como tudo isto se articula e ganha cor quando se trabalha para que o pensamento das crianças se revele na força das suas palavras!

Não tenho mais palavras!

Parabéns, Leonor, lindo, pedagogicamente EXCELENTE!!!

Beijo GRANDE

Ana

Galega Encarnada said...

Amiga Ana ... comoveste-me com a compreensão que tiveste do que fiz e faço com o meu grupo. O blogue já me "consome" tanto tempo, que quando faço os post, sou rápida na descrição da actividade e raramente dou a explicação pedagógica do que se faz na sala, das diferentes actividades e tu, agora, fizeste-o de uma forma excelente!
Não dou as razões de índole pedagógico, embora elas sempre estejam presentes e norteiem cada minuto de trabalho, por duas razões: 1- aos pais penso que interessa ter conhecimento "do que se faz" e, de forma ligeira "porque se faz", senão é maçador; 2 - aos educadores, a maioria que deixa comentários incentivadores ou sugestões de trabalho, e ainda são alguns, felizmente, e embora pessoalmente não nos conheçamos, mas estabelecemos por aqui uma relação de sincero apreço pelo que cada um faz e colaboração efectiva, penso que não necessita dessa explicação, porque as compreende como inerentes ao trabalho.
Obrigado.

 
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